O vício em jogos e aparelhos eletrônicos na infância

O vício em jogos e aparelhos eletrônicos na infância Blog Chiquititos

Você, como mãe e pai, já sabe muito bem que a sua influência na vida do seu bebê é essencial em todos os aspectos da sua criação, certo?

Além da sua influência, o seu filho(a), enquanto criança, adolescente e adulto, também será influenciado(a) pelos padrões da sociedade.

E quando se fala sobre o vício em jogos eletrônicos tanto você quanto a sociedade, poderão ser os responsáveis por contribuir para o desenvolvimento deste vício no seu filho(a). Sim! É isso mesmo que você leu. Agora, quer entender como isso pode acontecer, com sua influência, direta ou indireta, e o que fazer para evitar que sua prole não desenvolva esse vício?

Vem comigo que neste artigo, vou te explicar como o vício em jogos eletrônicos está se tornando perigoso e, já é, inclusive, reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença.

Primeiro, vamos entender o que caracteriza o vício em jogos

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) as características que definem o vício em games por uma pessoa é quando esta apresenta:

  • Falta de controle sobre o jogo;
  • Quer continuar jogando, apesar de consequências negativas (como perder rodada, fases e etc.);
  • Prioriza sempre os jogos eletrônicos em detrimento de qualquer outro brinquedo ou atividades diárias;
  • O padrão de comportamento afeta áreas pessoais, sociais, familiares, educacionais e outras áreas importantes para o desenvolvimento.

A decisão da OMS em classificar o vício em jogos como doença visa estabelecer critérios para tratamentos. Em alguns países ocidentais, por exemplo, já é muito elevado o número de clínicas de tratamento para este tipo de vício e, com a regulamentação da Organização Mundial da Saúde, as clínicas terão que seguir essas normas, o que pode garantir um cuidado maior com os envolvidos e aplicações de tratamentos adequados.

Outra coisa muito importante que vem com essa norma, que oficializa o vício em jogos como doença, é a cobertura de seu tratamento pelos convênios. Pois enquanto não fosse assim, os convênios não seriam obrigados a darem cobertura para tratamento desse transtorno por não ser reconhecido oficialmente pela OMS como uma doença.

Mas é preciso ter sabedoria na hora de identificar o que é realmente vício e, o que está só próximo disso e o que fazer para controlar. Portanto, atenção nos sinais.

Agora, você deve estar pensando: “ah, mas criança não fica viciada em games. Isso aí só acontece com gente grande.”

Então, deixa eu te contar. Aliás, leia, por favor, essa matéria que saiu na Veja (https://veja.abril.com.br/saude/criancas-vicio-em-jogos-danifica-o-cerebro-tanto-quanto-alcool-e-drogas/), há três anos. Isso mesmo, há três anos atrás! Agora imagina nos dias atuais, durante a pandemia da Covid-19.

Como aparelhos eletrônicos podem influenciar para o desenvolvimento de vícios relacionados

Diante de um tema tão sensível, afinal, diante de uma mudança tão grande que estamos vivendo no mundo atualmente, onde o digital está se tornando um produto tipo agro: “o digital é tech, o digital é pop, o digital é tudo!”, é difícil não se deixar envolver e deixar que seus filhos sejam envolvidos por esse mundo. E distrações como jogos e aparelhos eletrônicos estão acessíveis a crianças cada vez mais novas, por muito mais tempo.

Atualmente, existem uma variedade de brinquedos eletrônicos para bebês a partir de um ano de idade. E, alguns, até menos, a partir de 6 meses. São brinquedos eletrônicos interativos, que prometem ajudar no desenvolvimento, no entanto, é preciso ter atenção à esta oferta de distração.

Isso nos leva a próxima questão sobre esse tema que é tão importante os pais terem atenção.

Como evitar que o seu filho(a) desenvolva o vício em jogos e aparelhos eletrônicos.

As opções de brinquedos para crianças em cada fase de seu desenvolvimento estão cada vez mais variadas e tecnológicas. É comum, ver criança de 5 anos (ou até menos), já com um aparelho celular (ou tablet) na mão, vendo vídeos, seja de Galinha Pintadinha, por exemplo, ou qualquer outro desenho infantil. Isso é bacana, mas quanto a quantidade deste tipo de conteúdo que seu filho(a) está consumindo, você tem controle sobre isso?

E as brincadeiras orgânicas, como por exemplo, as atividades do Método Montessori? Quando vemos as crianças brincando com um desses, hoje em dia? Aliás, você sabe o que são os brinquedos Montessori? Caso não, não deixe de ler nosso artigo a respeito.

Bom, é claro que muitos destes brinquedos e aparelhos tecnológicos, eletrônicos, podem distrair sua criança, ajudá-la a desenvolver habilidades sensoriais, oferecem facilidades em aprendizados. No entanto, para evitar que a predileção da criança seja enveredada somente para este tipo de brinquedo, e que futuramente essa predileção se torne um vício, é necessário que seja ofertado a ela variedades de opções de brinquedos e acessórios que possam ser tão interessantes, quanto os eletrônicos.

E, para isso, essa criança precisa ser ensinada sobre isso. Por isto, se você oferece e deixa a disposição da criança uma pluralidade de brinquedos que realmente a ajudarão a desenvolver todas as suas habilidades, no futuro, essa criança, adolescente e adulto, saberá muito bem ter limites sobre qualquer atividade que queira praticar.

É como na introdução alimentar: se desde o início, for ofertado e ensinado o bebê a comer alimentos saudáveis, no futuro, este bebê terá se tornado uma pessoa mais saudável.

Para você conhecer algumas opções de brinquedos saudáveis para bebês até três aninhos, indico o artigo Brincadeiras e Brinquedos para bebês de 0 a 3 anos.

O papel dos pais para evitar que crianças desenvolvam vício em jogos e eletrônicos

Uma pesquisa realizada, pelo The LSE Media Policy Project, de 2005 a 2015 no Reino Unido, mostrou estatísticas surpreendentes sobre o acesso de crianças à internet e a produtos eletrônicos.

Nesta pesquisa, foi identificado que em 2014, 47% das crianças de 3 a 7 anos usavam aparelhos eletrônicos com acesso à internet. Em 2015 esse percentual aumentou para 61%.

O que essa pesquisa nos diz, e, nos questiona sobre esse consumo tão acelerado das tecnologias digitais por crianças, cada vez menores, é: os pais vendo tudo isso, veem essas mudanças como algo positivo? Os pais estão preparados para controlar, ou, assumir as consequências que podem vir, por seus filhos estarem tão imersos nessas tecnologias? Quais são os problemas emergentes e como os pais vão lidar com isso?

As preocupações crescentes sobre a segurança das crianças online impulsionaram mais pesquisas sobre o tema. O aumento de “tempo de tela” pode desenvolver possíveis efeitos adversos à saúde.

As famílias estão fazendo, a cada dia, mais investimentos em tecnologias digitais como um meio de distrair as crianças e, até mesmo, de promover a educação de seus filhos. O que pode ser muito bom, principalmente, nos dias atuais. Só, preste bem atenção nas próximas informações!

Os resultados e indicadores obtidos pela pesquisa sugere que os pais precisam entender o uso que os seus filhos fazem da mídia digital, analisando os seguintes indicadores (contexto, conteúdo e conexões):

— Contexto => onde, como, quando, quanto;

— Conteúdo => o que eles estão assistindo e usando;

— Conexões => como a mídia digital estão influenciando (facilitando relacionamentos ou minando-os).

A conclusão é: para que a criança tenha práticas saudáveis de jogos e utilização de aparelhos eletrônicos (mídias digitais), os pais têm um papel importante nisso. Desde a escolha certa na hora de investir em brinquedos e aparelhos tecnológicos para os filhos, quanto na hora de utilizá-los, ou seja, os pais precisam ter conhecimento sobre o que estão disponibilizando para seus filhos.

A participação dos pais na hora da diversão e do crescimento da criança pode fazer toda a diferença, pois gera entusiasmo, e será mais fácil colocar limites saudáveis durante cada fase de desenvolvimento. É importante buscar variedades de atividades, sejam online, ou não.

Uma coisa leva à outra

O acesso a aparelhos tecnológicos digitais, disponibiliza um mundo de opções de conteúdo; proveitosos e prejudiciais. Joguinhos, que, aparentemente, não fazem mal a ninguém, podem gerar interesse contínuo na criança que, ainda está em desenvolvimento e não tem discernimento para entender o que está fazendo.

Enquanto muitos pais estão ocupados, atarefados com trabalho e atividades que demandam atenção, e até, muitas vezes, passando muito tempo com aparelhos eletrônicos em mãos na frente da criança, eles a deixam com um aparelho também. E com isto, ela vai ficando por ali, também ligada em um mundinho que o aparelho oferece e, perdendo outras oportunidades de aprender com outras opções de ferramentas, sem se relacionar com outras crianças e, focando cada vez mais no consumo constante daquele conteúdo. É isso que pode acabar gerando uma série de transtornos.

Esse tipo de coisa não acontece de uma hora para outra. É aos poucos, silencioso e quando for percebido pode já está em estado avançado. Por isso, a cada dia, mais pesquisas estão sendo realizadas sobre o tema para trazer orientações para pais e filhos. Afinal, para muitos pais também não é fácil se desligar do celular e aparelhos eletrônicos nos dias atuais.

Para encerrar esse artigo, vou deixar aqui algumas perguntinhas para você se fazer aí: O que faria se não pudesse ter acesso a nenhum aparelho eletrônico, por uma semana? Quais atividades iria fazer? Quais tipos de brincadeiras você faria com seu bebê (criança)?

Eu confesso que a primeira coisa que pensei foi: vou procurar no Google “o que fazer sem aparelhos eletrônicos”. Mas aí lembrei, que para fazer isso eu precisaria usar um aparelho eletrônico (risos).

Veja mais sobre como se preparar e cuidar para que seu bebê cresça mais saudável nesta era da tecnologia digital neste livro Tecnologia na Infância: Criando hábitos saudáveis para crianças em um mundo digital da autora Dra. Shimi Kang que é uma psiquiatra premiada, que estudou na Universidade de Harvard e atua como pesquisadora, especialista em mídia, autora e palestrante.

Atenção, papais! Vocês são incríveis!

Ser pai e mãe é uma missão que exige muita responsabilidade, dedicação, tempo e paciência. A todo o momento, durante o desenvolvimento da criança, o cuidado com cada detalhe que contribua para um desenvolvimento saudável dos filhos, é essencial.

Se você chegou até aqui, significa que você está dando o seu melhor. Você se importa. Parabéns!

Um abraço e até o próximo post.

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Artigo produzido por Maria Adrielia @nemcedonemtarde para o Blog Chiquititos. Texto protegido pela Lei de Direitos Autorais nº 9.610/98. Fica totalmente proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo sem a devida autorização do autor. Para maiores informações, entre em contato com atendimento@chiquititos.com.br.

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